Novas obras tentam resolver o problema de um dos buracos insistentes na rua Freire Alemão, bairro Auxiliadora / Montserrat. O ponto fica entre a Eudoro Berlink e Fabrício Pillar, e há décadas é acompanhado por moradores e por quem transita pelo local, conforme noticiado por este blog em http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/2014/08/o-buraco-que-se-recusa-ir-embora.html. Nesta terça-feira, 12, uma equipe trabalhava no local, que estava com uma considerável profundidade.
13 de agosto de 2014
Direto de Porto Alegre é notícia
O lançamento do blog Direto de Porto Alegre foi noticiado em dois improtantes sites do Rio Grande do Sul, Coletiva.net e De Olhos e Ouvidos, do jornalista e escritor Olides Canton. Registre-se nosso agradecimento, extendido às pessoas que estão divulgando nas redes sociais.
De Taiwan para as feiras de Porto Alegre
Nas feiras-modelo de terça e sábado, no Largo Zumbi dos Palmares e rua Irmão José Otão / Vasco da Gama, respectivamente, a dica para veganos é a 'banca de Taiwan'. Dois simpátcios orientais, Cintia e Hilário, vendem especiarias, produtos naturais e comida chinesa. A base dos produtos é vegetariana, mas os veganos têm deliciosas opções, como o 'rolão' primavera, que se assemalha ao rolinho primavera dos restaurantes chineses, mas é do tamanho de uma panqueca, e não é frito. O mais procurado é o pãozinho chinês, recheado com legumes e gengibre, vendido em sacos de vinte unidades. Para quem gosta de sushi, basta solicitar o que não leva ovo. Às vezes há também a tradicional proteína de soja agridoce, caramelada, congelada. Quem prefere pilotar o próprio fogão pode se arriscar a comprar o fungo preto, que vem prensado e desidratado em uma pequena caixinha com aspecto vintage. Depois de colocado na água, o fungo multiplica seu tamanho, e passa a ter um aspecto de repolho negro ou "orelha de alienígena", como já escutei. Ambas as feiras funcionam das 15h30min às 20h, aproximadamente, com preços sensivelmente abaixo dos supermercados e quitandas.
Cuba vista por Lisette Guerra
Inaugurou no dia 7, no segundo andar da Usina do Gasômetro, a exposição 'Cuba', da fotógrafa Lisette Guerra. O enfoque é a beleza natural e urbana daquele país caribenho, sua gente e suas peculiaridades. As fotos em exibição fazem parte de um livro homônimo, vendido no local a R$ 100, enquanto que "nas lojas está R$ 180", informa a atendente. Sem críticas sociais ou ideológicas, a mostra traz belas imagens, multicoloridas, e só. A exposição segue até o dia 14 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada franca.
11 de agosto de 2014
O Planeta Diário e a Casseta Popular em uma única biografia
Nos anos 80, e começo dos 90, fui um leitor voraz do jornal O Planeta Diário, do qual cheguei a ser assinante. Os autores seram os cartunistas Hubert, Reinaldo e Claudio Paiva, cujos textos superavam em muito o humor de seus desenhos. Eram referências múltiplas, trodadilhos inéditos, associações infames - como ilustrar uma 'reportagem' da Luiza Erundina com foto de Tom Jobim. Tudo dava um grande frescor ao humor brasileiro.
Concorrendo e colaborando, havia a revista Almanaque da Casseta Popular, que eu pouco lia. Achava meio nojenta e imatura, quando não simplesmente sem graça. Tanto que torci um pouco o nariz quando, anos depois, ambas as publicações se fundiram - epa! - para trabalhar na Rede Globo, inicialmente no TV Pirata. Até porque, com isso, o Planeta Diário passou a repetir matérias, até deixar de circular. Veio o disco 'Preto com um buraco no meio', Casseta & Planeta, e o resto é hist´roia.
História essa contada primorosamente por Guilherme Fiuza no livro 'Bussunda - A vida do casseta'. São 400 páginas que o leitor devora rapidamente. No meu caso, li 90 páginas de uma só sentada, quando um outro exemplar caiu nas minhas mãos. Autor de 'Meu nome não é Johnny', o jornalista conta a história da Casseta Popular e do Planeta Diário, tendo como eixo a vida de Bussunda, o mais carismático da trupe de humoristas. Aliás, apesar do título, o livro traz a biografia de todos os integrantes de ambos os veículos, e também dos agregados, que formalmente não eram considerados inegrantes, como Mu Chebabi e outros.
Cláudio Besserman Vianna havia acabado de ingressar no curso de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e já matava aulas para ganhar uns trocados. De óculos escuros, o rapaz de 19 anos embarcava em lotações e pedia esmolas fingindo-se de cego - e de deficiente mental. Sua aparência contribuía para que os passageiros caíssem na farsa: barriga volumosa, cabelos desgrenhados e uma cara redonda na qual se destacavam os dentes saltados. O aspecto de quem não via um chuveiro fazia tempo dava a pincelada final no quadro. O golpista era Bussunda, figura marcante entre o fim dos 80 e 2006, quando morreu durante a cobertura da Copa do Mundo da Alemanha, aos 43 anos.
A obra, nova e com frete grátis, está à venda na minha eshop no Mercado Livre, em http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-579711749-casseta-poular-planeta-diario-bussunda-biografia-zerokm-novo-_JM.
Da série 'Poesia em metro'
TESTAMENTO
Se é só de plástico não me interessa em nada
se é algo importante pode falar agora
se é só besteira deixe um recado na entrada
se é urgente, se a morte é iminente, confesse seus pecados um a um
se é alarme falso já pode parar com o jejum
se é caso grave avise os parentes distantes, os vizinhos e tire os livros da estante
se é coisa séria, deixe para depois
agora estou dormindo.
Se é só de plástico não me interessa em nada
se é algo importante pode falar agora
se é só besteira deixe um recado na entrada
se é urgente, se a morte é iminente, confesse seus pecados um a um
se é alarme falso já pode parar com o jejum
se é caso grave avise os parentes distantes, os vizinhos e tire os livros da estante
se é coisa séria, deixe para depois
agora estou dormindo.
Da série 'Poesia em metro'
Poste
eu só peço salvação
se não for incômodo
ou em me mudo para outro cômodo
da mesma casa, e aí crio asas
e vôo
creio que posso planar, se subir bem alto
impulsionado por um foguete ou por um salto
eu só peço caridade
se não for desfeita
ou eu me mudo para outra cidade
onde haja a mesma rua
mesma casa
o mesmo poste
creio que posso cultivar lírios de cemitério
na matéria fértil do meu cérebro
eu só peço paz & amor
se não for antiquado
creio que posso imitar um poste
tipo ficar parado
(na esquina dessas ruas que eu não consigo atravessar)
sem ninguém me notar
basta cruzar os dedos ou criar asas
ou subir bem alto
ou dar um salto.
eu só peço salvação
se não for incômodo
ou em me mudo para outro cômodo
da mesma casa, e aí crio asas
e vôo
creio que posso planar, se subir bem alto
impulsionado por um foguete ou por um salto
eu só peço caridade
se não for desfeita
ou eu me mudo para outra cidade
onde haja a mesma rua
mesma casa
o mesmo poste
creio que posso cultivar lírios de cemitério
na matéria fértil do meu cérebro
eu só peço paz & amor
se não for antiquado
creio que posso imitar um poste
tipo ficar parado
(na esquina dessas ruas que eu não consigo atravessar)
sem ninguém me notar
basta cruzar os dedos ou criar asas
ou subir bem alto
ou dar um salto.
10 de agosto de 2014
Carroças também carregam trabalho infantil

Quem circula por Porto Alegre de olhos abertos, vendo além do que o comodismo e a passividade permitem enxergar, vai reparar em carroças ainda costurando becos, ruas e avenidas da Capital. Não são carroças romantizadas, como muitos fazem força para acreditar, comparando-as com as charretes turísticas de Nova York, parisienses ou mesmo aquelas perdidas nas memórias da infância, na zona rural. A realidade, há muito, já asfaltou o bucolismo de quem ainda sonha acordado.
Pois é justamente a infância o período mais ultrajado dentro desse caldeirão de forças e dominação chamado 'carroças em Porto Alegre'. A opção de ver, ou não, fica por conta de cada um, o que não modifica a verdade no ritmo das pálpebras. Quem transita percebe que cerca de um terço das carroças está sendo conduzida por um menor de idade, criança ou adolescente. E pelo menos a metade carrega junto ao condutor alguém que com certeza jamais ouviu o termo 'Estatuto da Criança e do Adolescente', mas sabe bem que não tem opção senão juntar lixo dia após dia.
Um menor de idade conduzindo um automóvel pelas ruas de Porto Alegre seria rapidamente interceptado pelos órgãos competentes, e no dia seguinte estaria nos jornais. Mas se o veículo que este mesmo menor conduz - e muitos estão mais próximo dos 10 anos do que dos 18 - não possui sinalização, cinto de segurança, freios nem estabilidade mínima, então todos fazem vista grossa. Desde o motorista de ônibus ou taxista, com sua contumaz boca-suja e impaciência frente aos demais condutores, até os agentes de trânsito. No empurra-empurra caótico das vias urbanas, haja habilidade para manejar um cavalo magro e uma carroça cheia de sacos pretos. Prudência? Experiência? São palavras que não constam nesse 'Código de Trânsito' versão 'jeitinho brasileiro', que tanto corrói as estruturas do país.
Tais crianças e adolescentes são alvo de muita conversa e intermináveis debates nos seminários e conferências da vida. Na teoria, todos têm uma preocupação especial com os menores, todos se escandalizam com notícias sobre crianças trabalhando pesado na China ou na África, mas aliviam-se de qualquer peso na consciência ao achar que é uma caridade permitir que uma criança prossiga trabalhando como carroceira. Ninguém defende uma situação dessas, em tese, mas dentro de uma visão preguiçosa e covarde, opta pelo 'deixar tudo como está' - sem antes deixar de passar um verniz de colaboração caridosa a um problema social.
Falar sobre o estrago feito a uma criança no momento que ela é obrigada a trabalhar já foi feito por gente mais gabaritada e especializada no assunto, e a legislação específica existe. Exercer uma função que não dá horizontes sociais, é duplamente cruel, como se o carroceiro adulto tivesse propriedade também sobre o futuro de seus filhos, condenando-os a ser apenas carroceiros, e ainda se conformar com isso. Diz o ECA que aos menores de 18 anos "é vedado o trabalho noturno, perigoso, insalubre, penoso, realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social". Parece ser uma descrição da atividade realizada por crianças e adolescentes em Porto Alegre, de boné e chinelo de dedo. Mas são crianças invisíveis.
Marcadores:
carroça,
cavalo,
direitos humanos,
ECA,
escravidão,
maus tratos,
mobilidade urbana,
Porto Alegre,
trabalho infantil,
trânsito
Da série 'Poesia em metro'
presidente desfilando em carro aberto
por Marcio de Almeida Bueno
o futuro passa gilete
na parede de meus intestinos
e a sensação é parecida
com o primeiro dia na escola
fugir era impossível
agora já dá pra evitar
sistematicamente tudo que desagradar
nao vou a recepções nem cerimonias
assim como nao deito em mesa de cirurgia
não converso conversa ruim
não cumrprimento quem nao me cumprimenta
mas aceno com o maior prazer
jogo flores para um público certo
dou tchauzinho para a multidão
presidente desfilando em carro aberto
o futuro me dá bom dia
as dores me dão boa noite
a televisao nao cala a boca um minuto
mais uma sessao de açoite
fugir era impossível
agora já dá pra evitar
sistematicamente tudo que desagradar
mas aceno com o maior prazer
jogo flores para um público certo
dou tchauzinho para a multidão
presidente desfilando em carro aberto.
por Marcio de Almeida Bueno
o futuro passa gilete
na parede de meus intestinos
e a sensação é parecida
com o primeiro dia na escola
fugir era impossível
agora já dá pra evitar
sistematicamente tudo que desagradar
nao vou a recepções nem cerimonias
assim como nao deito em mesa de cirurgia
não converso conversa ruim
não cumrprimento quem nao me cumprimenta
mas aceno com o maior prazer
jogo flores para um público certo
dou tchauzinho para a multidão
presidente desfilando em carro aberto
o futuro me dá bom dia
as dores me dão boa noite
a televisao nao cala a boca um minuto
mais uma sessao de açoite
fugir era impossível
agora já dá pra evitar
sistematicamente tudo que desagradar
mas aceno com o maior prazer
jogo flores para um público certo
dou tchauzinho para a multidão
presidente desfilando em carro aberto.
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)