Esta saborosa pizza traz o 'cream cheese' totalmente vegetal que desenvolvo. Ainda está em fase de testes. De resto, usei champignon, milho, cebola, chia, molho de tomate e orégano. Ainda falta melhorar o simulacro de queijo. Tenho usado levedura de cerveja, batata, soja e especiarias, mas o ponto certo está longe de ser encontrado. A linhaça já fez 'puxa-puxa', mas parece não fazer mais diferença. Quanto ao sabor, está quase lá.
29 de agosto de 2014
Da série 'Poesia em metro':
POSTE
eu só peço salvação, se não for incômodo
ou eu me mudo para outro cômodo da mesma casa
e aí crio asas e vôo
creio que posso planar, se subir bem alto (como num sonho)
impulsionado por um foguete ou por um salto
eu só peço caridade, se não for desfeita
ou eu me mudo para outra cidade onde haja a mesma rua, mesma casa, o mesmo poste
creio que posso cultivar lírios de cemitério
na matéria fértil do meu cérebro
eu só peço paz & amor, se não for antiquado
creio que posso imitar um poste
tipo ficar parado
(na esquina dessas ruas que eu não consigo atravessar)
sem ninguém me notar
basta cruzar os dedos ou criar asas, ou subir bem alto
ou dar um salto.
eu só peço salvação, se não for incômodo
ou eu me mudo para outro cômodo da mesma casa
e aí crio asas e vôo
creio que posso planar, se subir bem alto (como num sonho)
impulsionado por um foguete ou por um salto
eu só peço caridade, se não for desfeita
ou eu me mudo para outra cidade onde haja a mesma rua, mesma casa, o mesmo poste
creio que posso cultivar lírios de cemitério
na matéria fértil do meu cérebro
eu só peço paz & amor, se não for antiquado
creio que posso imitar um poste
tipo ficar parado
(na esquina dessas ruas que eu não consigo atravessar)
sem ninguém me notar
basta cruzar os dedos ou criar asas, ou subir bem alto
ou dar um salto.
26 de agosto de 2014
Um jardim suspenso em meio ao concreto
Este belo jardim, que lembra até um pequeno campo de golfe, é nada menos que o teto da loja C&A, na Andradas. Quem passa em frente ao estabelecimento nem imagina que, logo acima, um oásis respira em meio ao brutal concreto de dezenas de edifícios, colados um no outro. Silenciosamente, um jardineiro se dedica a seu ofício, alheio às centas de janelas de escritórios que o rodeiam.
O medo das ideias que ainda não são aceitas na sala de estar
Haja paciência para ouvir comentários-carimbo como 'o fulano é vegano mas não é chato, não tenta converter os outros'. Já existe a ideia de que andam os veganos no modo 'Seita Moon on', abordando estranhos no ônibus e sem fechar a matraca. Se bem que a ideia parece interessante.
E exige-se um mutismo em relação ao que se acredita, como se quem escova os dentes não pudesse avisar/reclamar/apontar/queixar-se de quem está com mau hálito. Devemos todos ser veganos pela anulação de si, em silêncio obsequioso e caminhando sem fazer barulho, para não incomodar os vizinhos? Devemos primar pela posição de abster-se, e não de acender pavios no pensamento de quem está próximo? Devemos 'respeitar para sermos respeitados', uma frase que já veio com defeito de fábrica mas ninguém reclama, nem se dá o trabalho de ler as instruções - vamos respeitar o errado, o equivocado, o atrapalhado, o mal intencionado, o sádico, o duas-caras, o desinformado, o ignorante, o inculto, o voluntário no erro - somente para ganharmos o card mágico 'Parabéns, agora você pode ser respeitado também'?
Como se a humildade, submissão e conformismo de joelhos fosse algo tão louvável que seria bom que os outros tivessem - não eu.
Historicamente, o que foi regra foi pisoteado tempos depois, o que era proibido virou norma, o que era oba-oba passou a ser crime. E ninguém contesta isso, nem tem saudosismo das cavernas, da Idade Média ou das épocas que escravos eram patrimônio. Mas falar 'veganis…' perto de algumas pessoas resulta em uma reação de olhos arregalados - metaforicamente falando, geralmente - e de espanto ao apanharem-se tão próximas de alguém subversivo, que luta pela implantação de direitos que não os seus, vejam só. Já ouvi contestações de que a ingestão de carne e derivados dos animais jamais poderá ser proibida por decreto.
Como se os decretos - agora genericamente falando, ok? - não tivessem encerrado a existência legal de tanta coisa nefasta que hoje qualquer um acha um absurdo. Que qualquer pessoa de bom senso se pergunta como foi possível tolerar, aceitar enquanto se assobiava, outorgar eticamente e lavrar em documentos. Esse 'decreto' que muitos temem nada mais é que o desenrolar do tapete da história, e a ponta do chicote vai estalar somente nos desavisados, nos que creem nos conselhos de comadre e acham que 'como está, fica'.
Dá para se deliciar com o leve desespero de quem desdenha dos direitos animais, assegurado que está no conceito de que chegamos a um último estágio, e mudanças significativas foram as que ocorreram no passado. Não agora. Sem ver que as ideias rastejam pelos rodapés da casa até serem aceitas na sala de estar.
E exige-se um mutismo em relação ao que se acredita, como se quem escova os dentes não pudesse avisar/reclamar/apontar/queixar-se de quem está com mau hálito. Devemos todos ser veganos pela anulação de si, em silêncio obsequioso e caminhando sem fazer barulho, para não incomodar os vizinhos? Devemos primar pela posição de abster-se, e não de acender pavios no pensamento de quem está próximo? Devemos 'respeitar para sermos respeitados', uma frase que já veio com defeito de fábrica mas ninguém reclama, nem se dá o trabalho de ler as instruções - vamos respeitar o errado, o equivocado, o atrapalhado, o mal intencionado, o sádico, o duas-caras, o desinformado, o ignorante, o inculto, o voluntário no erro - somente para ganharmos o card mágico 'Parabéns, agora você pode ser respeitado também'?
Como se a humildade, submissão e conformismo de joelhos fosse algo tão louvável que seria bom que os outros tivessem - não eu.
Historicamente, o que foi regra foi pisoteado tempos depois, o que era proibido virou norma, o que era oba-oba passou a ser crime. E ninguém contesta isso, nem tem saudosismo das cavernas, da Idade Média ou das épocas que escravos eram patrimônio. Mas falar 'veganis…' perto de algumas pessoas resulta em uma reação de olhos arregalados - metaforicamente falando, geralmente - e de espanto ao apanharem-se tão próximas de alguém subversivo, que luta pela implantação de direitos que não os seus, vejam só. Já ouvi contestações de que a ingestão de carne e derivados dos animais jamais poderá ser proibida por decreto.
Como se os decretos - agora genericamente falando, ok? - não tivessem encerrado a existência legal de tanta coisa nefasta que hoje qualquer um acha um absurdo. Que qualquer pessoa de bom senso se pergunta como foi possível tolerar, aceitar enquanto se assobiava, outorgar eticamente e lavrar em documentos. Esse 'decreto' que muitos temem nada mais é que o desenrolar do tapete da história, e a ponta do chicote vai estalar somente nos desavisados, nos que creem nos conselhos de comadre e acham que 'como está, fica'.
Dá para se deliciar com o leve desespero de quem desdenha dos direitos animais, assegurado que está no conceito de que chegamos a um último estágio, e mudanças significativas foram as que ocorreram no passado. Não agora. Sem ver que as ideias rastejam pelos rodapés da casa até serem aceitas na sala de estar.
Marcadores:
Agência de Notícias de Direitos Animais,
anti-especismo,
artigo,
crônica,
direitos animais,
libertação animal,
marcio de almeida bueno,
vegan,
veganismo,
veganos
Os chafarizes e o medo do banho gelado
Na tarde desta terça-feira, 26, estavam em funcionamento os chafarizes múltiplos do Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público. O frio intenso, quase chegando aos dez graus, somado ao vento forte, afastava os transeuntes, temerosos até de eventuais respingos d'água.
"Reclamar com o prefeito, que ele está desperdiçando água", resmungou uma senhora, para a amiga.
"Reclamar com o prefeito, que ele está desperdiçando água", resmungou uma senhora, para a amiga.
24 de agosto de 2014
A solução para os veganos lavarem roupa?
Bolinha Mágica está lavando roupas com a mesma qualidade que o sabão em pó
Uma das muitas questões do cotidiano de um vegano é a lavagem de roupas. Achar um sabão adequado, decifrar seu rótulo, pesquisar os ingredientes, descobrir se a empresa testa em animais - o de praxe para quem optou por não mais explorar os animais não-humanos. Eis que recentemente aparecem alternativas que substituem em definitivo o sabão em pó, barra ou líquido para a lavagem de roupas, e que ainda não geram poluentes e poupam centenas de reais, de uma hora para outra. Testei uma das 'bolinhas mágicas' ou 'ecobolas, até o momento com pleno sucesso. As roupas ficam com o mesmo aspecto da lavagem tradicional, porém sem perfume. O fabricante garante três anos de utilização até que as tais pedras de cerâmica ionizadas percam a eficácia, um longo período - faça as contas da economia em supermercado. Se você também está migrando para uma vida frugal, faça as contas de quanto se poupa em sabão em pó. Persistindo a situação, será uma grande avanço prático na substituição dos produtos industrializados, com seus ingredientes e testes, para o dia a dia dos veganos. O site do produto em questão é superbolinha.com.br.
Bastar jogar a bola dentro da máquina de lavar, que a 'magica' funciona
Uma das muitas questões do cotidiano de um vegano é a lavagem de roupas. Achar um sabão adequado, decifrar seu rótulo, pesquisar os ingredientes, descobrir se a empresa testa em animais - o de praxe para quem optou por não mais explorar os animais não-humanos. Eis que recentemente aparecem alternativas que substituem em definitivo o sabão em pó, barra ou líquido para a lavagem de roupas, e que ainda não geram poluentes e poupam centenas de reais, de uma hora para outra. Testei uma das 'bolinhas mágicas' ou 'ecobolas, até o momento com pleno sucesso. As roupas ficam com o mesmo aspecto da lavagem tradicional, porém sem perfume. O fabricante garante três anos de utilização até que as tais pedras de cerâmica ionizadas percam a eficácia, um longo período - faça as contas da economia em supermercado. Se você também está migrando para uma vida frugal, faça as contas de quanto se poupa em sabão em pó. Persistindo a situação, será uma grande avanço prático na substituição dos produtos industrializados, com seus ingredientes e testes, para o dia a dia dos veganos. O site do produto em questão é superbolinha.com.br.
Bastar jogar a bola dentro da máquina de lavar, que a 'magica' funciona
Marcadores:
bolinhas mágicas,
ecobola,
economia,
ingredientes de origem animal,
lavar roupa,
testes em animais,
vegan,
veganismo,
vida frugal
O varredor de toda Porto Alegre
Este folclórico senhor, há anos, varre as ruas de Porto Alegre. Passou muito tempo na Goethe, perto do Parcão, trabalhando com sua vassoura junto ao canteiro central, um serviço voluntário e que nunca termina. Depois, podia ser visto na Mauá, em meio ao trânsito infernal, com sua vassoura velha, limpando a via, indiferente aos veículos e à fumaça preta do óleo diesel. Fiquei anos sem vê-lo, e achei que havia falecido ou que tivesse sido internado em alguma instituição. No último final de semana, revi-o novamente, desta vez na João Telles, perto da Independência, empunhando sua espada-vassoura. Caberia um documentário sobre esse solitário homem e sua missão de varrer a Capital.
22 de agosto de 2014
Um quarto de século sem Raul Seixas
Em 21 de agosto de 1989, há exatos 25 anos, morria Raul Seixas. Lembro que chorei quando recebi a notícia, e meu pai desdenhou. Eu tinha 15 anos e do meu toca-discos não saíam 'A Pedra do Gênesis', último disco solo, sem contar aquele com Marcelo Nova, que só fui ouvir recentemente, e uma coletânea chamada 'Caminhos'. Meses antes, Raulzito e Marceleza haviam feito show aqui em Porto Alegre, mas optei por não ir porque já sabia da péssima condição do maluco beleza. Nunca gostei de ver meus ídolos envelhecidos-capotados-decadentes, sempre tive problema com isso.
Coincidentemente, ando em uma fase de audição de toda a discografia de Raul Seixas, até piratas e raridades. O que acabou me fazendo ver dois filmes relacionados - 'Não Pare Na Pista - A melhor viagem de Paulo Coelho' e 'Raul Seixas - O início, o fim e o meio'. Bons filmes, ainda mais para quem é fã.
E aí fui me dar conta da fatídica data, um quarto de século de morte. Complicado rever - nos filmes citados - um Raul Seixas no auge da criatividade, da provocação, e depois ter que vê-lo como farrapo humano. A sequência no documentário que mostra sua última funcionária/namorada refazendo o caminho que ele fez na última noite de vida, chegando em seu prédio sem conseguir andar, ajudado pelo porteiro, é de fazer o Rambo chorar. Resta a obra, com brilhantes canções, outras não, mas com uma média muito alta de qualidade, coisa rara nas últimas décadas. Encerro com um trecho pouco conhecido, retirado de 'Areia da ampulheta', faixa do citado disco 'A Pedra do Gênesis'.
"Eu sou a areia da ampulheta / O lado mais leve da balança / O ignorante cultivado / O cão raivoso inconsciente / O boi diário servido em pratos / O pivete encurralado / Eu sou a areia da ampulheta".
Coincidentemente, ando em uma fase de audição de toda a discografia de Raul Seixas, até piratas e raridades. O que acabou me fazendo ver dois filmes relacionados - 'Não Pare Na Pista - A melhor viagem de Paulo Coelho' e 'Raul Seixas - O início, o fim e o meio'. Bons filmes, ainda mais para quem é fã.
E aí fui me dar conta da fatídica data, um quarto de século de morte. Complicado rever - nos filmes citados - um Raul Seixas no auge da criatividade, da provocação, e depois ter que vê-lo como farrapo humano. A sequência no documentário que mostra sua última funcionária/namorada refazendo o caminho que ele fez na última noite de vida, chegando em seu prédio sem conseguir andar, ajudado pelo porteiro, é de fazer o Rambo chorar. Resta a obra, com brilhantes canções, outras não, mas com uma média muito alta de qualidade, coisa rara nas últimas décadas. Encerro com um trecho pouco conhecido, retirado de 'Areia da ampulheta', faixa do citado disco 'A Pedra do Gênesis'.
"Eu sou a areia da ampulheta / O lado mais leve da balança / O ignorante cultivado / O cão raivoso inconsciente / O boi diário servido em pratos / O pivete encurralado / Eu sou a areia da ampulheta".
21 de agosto de 2014
Pizzas veganas que impressionam as visitas
Nada como uma boa pizza, quentinha e crocante. Os veganos têm uma infinidade de opções rápidas, baratas e deliciosas. Quando não se topa fazer a massa, basta procurar massas pré-prontas sem ingredientes de origem animal - a da foto é marca Romena, que custa menos de R$ 3. O 'catupiry' que faço é uma espécie de cream cheese, ainda sendo desenvolvido - leva leita de soja, azeite, vinage, batata, levedura de cerveja e linhaça. Na cobertura, cebola com azeitona, e champignon com milho, tudo coberto com orégano e chia. O toque final é um molho bolonhesa feito com PVT, refogado de tomate, alho e curry. As visitas saem satisfeitas e impressionadas.
Animais silvestres sobrevivendo como podem
Dias atrás, um enorme urubu foi visto em plena avenia Nilo Peçanha, próximo à Carlos Gomes. A ave pousara em um dos últimos andares de um grande e chique prédio, alheio ao turbilhão automobilístico de praxe. O local parecia estar - ainda - vazio, pois temi que alguém abrisse uma janela, já com um pedaçõ de pau na mão. Não era possível enxergar a existência de ninho. Os animais silvestres, sobreviventes da louca expansão das cidades, têm que se virar como podem.
Assinar:
Postagens (Atom)












