21 de agosto de 2014
Da série 'Vida frugal'
Na foto, alface, couve, alho, banana, maçã, shoyu sem glutamato monossódico, cebola - R$ 1 cada pacote, sushi vegano e pãezinhos chinesesUm dos primeiros passos para se migrar para uma vida frugal é reduzir progressivamente a ditadura do supermercado. A 'facilidade' que esses locais oferecem é convertida em preços desnecessariamente mais altos. Uma das saídas é procurar pelas feiras modelos, cujos horários e endereços estão no site da Smic. Bons produtos, ambiente acolhedor para se fazer novas amizades, oportunidade para se dar uma caminhada e preços irrisórios. Com o valor de uma ida rápida ao supermercado, é possível comprar na feira mantimentos para vários dias - até porque os legumes de lá têm alta durabilidade, ao contrários daqueles do super. É mais uma das evoluções dentro do veganismo, questionando o sistema e permitindo, sem dificuldades, viver melhor e trabalhando menos para poder pagar o 'a mais'.
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20 de agosto de 2014
Dos cachorrinhos de madame ou 'Um puxão na Condessa'
Então se convencionou que este animalzinho aqui, mas este aqui, ó, vai emocionar a todos nós com sua fofura fotogênica. Vamos todos emoldurar sua foto, compartilhar nas redes sociais, e ensinar às crianças o valor do amor aos animais – apontando-se para a imagem deste animalzinho aqui, ó. Para ficar bem claro. Haverá quem diga ‘parece gente, né?’, e ‘até faz parte da família’. Apontando para o animalzinho em questão, fofo, fotogênico e, vá lá, com melhor sorte que outros. Está valendo o quanto custou, pensa o pai que passou o cartão na hora da compra.
Claro que vejo meus vizinhos arrastando seus animaizinhos-fofos-da-família-que-parecem-gente-né pela calçada enquanto esses ainda estão tentando fazer cocô. “Vamos, Condessa!”, bradou esses dias uma vizinha sessentona, enquanto puxava seu animalzinho favorito, que ousava – vejam só o disparate! – dar uma cheirada protocolar maior que o instante suportado por sua ‘dona’. Tudo isso em um passeio matinal na calçada, com aquela paradinha obrigatória em cada gramado, árvore ou canto carimbado por si ou similares, em rondas anteriores. O amor à Condessa convertera-se em uma coleira-peiteira que permitia sua, digamos, proprietária, dar os puxões necessários para que a distração não durasse mais que o instante permitido. É necessário apurar, para chegar logo em casa e ligar a televisão ou postar imagens bonitas no ‘cara-livro’.
Não preciso dizer que, ao me ver vindo pelo mesmo passeio público, o puxão na Condessa foi especialmente vigoroso. Nunca entendi bem o porquê dessa tutela reativa que inclui um safanão bem dado cada vez que uma outra pessoa – estranha, talvez, como presumo que eu seja – se aproxime ou cruze pela mesma calçada. Alguns chegam a levantar o animalzinho pela coleira mesmo, embora eu lembre de só ter brincado de ‘forca’ com caneta e papel, até hoje.
Mas é como aquelas mães que estão sempre ralhando – …ah, esperei alguns anos para poder usar este verbo… – com o filho pequeno. ‘Para, João Felipe’, ‘larga isso, Cauã’, ‘já falei para não mexer nisso, Maria Cristina, tu vai ver quando o teu pai voltar’. A impaciência rivotrílica é bastante similar: talvez apenas a sacudida extra seja guardada para a privacidade e inviolabilidade do lar, para não ficar chato na frente do porteiro ou dar dor-de-cabeça com o Conselho Tutelar. Enfim.
O animalzinho que ora observamos, sortudo até, no comparativo da tabela, preenche como massa de parede aqueles visíveis buracos da meia-idade, da síndrome do ninho vazio, da viuvez, da falta de assunto entre cônjuges, da aporrinhação familiar “e da solidão das pessoas / dessas capitais”, como canta Belchior. Não todos, mas vejo o que vejo, e anoto aqui para fins de registro no caderno da vida. Ponto.
Um dia é dia de apanhar de jornal enrolado, outro é de ficar no Sol, outro é de ficar alguns dias no box do banheiro, ou esperando o resto da família voltar da praia, dias depois, outro dia é de espera, olhando pela janela. E às vezes a doença que chega no virar do calendário, a velhice, ou ambas de mãos dadas, caminhando com passos inicialmente miúdos, mudam a rota do animalzinho-fofo e lhe proporcionam – se não o apoio, o tratamento e o acolhimento misericordioso na hora do aperto final – a condição de presente para a faxineira, junto com umas roupas ‘que não servem mais em ninguém. Pode levar, Dona Fulana’.
Uma vida batida no martelo dos instantes, na gangorra do humor, na concessão de espaço, de comida, de cama quente. Ou castigo.
Publicado originalmente na ANDA.
Claro que vejo meus vizinhos arrastando seus animaizinhos-fofos-da-família-que-parecem-gente-né pela calçada enquanto esses ainda estão tentando fazer cocô. “Vamos, Condessa!”, bradou esses dias uma vizinha sessentona, enquanto puxava seu animalzinho favorito, que ousava – vejam só o disparate! – dar uma cheirada protocolar maior que o instante suportado por sua ‘dona’. Tudo isso em um passeio matinal na calçada, com aquela paradinha obrigatória em cada gramado, árvore ou canto carimbado por si ou similares, em rondas anteriores. O amor à Condessa convertera-se em uma coleira-peiteira que permitia sua, digamos, proprietária, dar os puxões necessários para que a distração não durasse mais que o instante permitido. É necessário apurar, para chegar logo em casa e ligar a televisão ou postar imagens bonitas no ‘cara-livro’.
Não preciso dizer que, ao me ver vindo pelo mesmo passeio público, o puxão na Condessa foi especialmente vigoroso. Nunca entendi bem o porquê dessa tutela reativa que inclui um safanão bem dado cada vez que uma outra pessoa – estranha, talvez, como presumo que eu seja – se aproxime ou cruze pela mesma calçada. Alguns chegam a levantar o animalzinho pela coleira mesmo, embora eu lembre de só ter brincado de ‘forca’ com caneta e papel, até hoje.
Mas é como aquelas mães que estão sempre ralhando – …ah, esperei alguns anos para poder usar este verbo… – com o filho pequeno. ‘Para, João Felipe’, ‘larga isso, Cauã’, ‘já falei para não mexer nisso, Maria Cristina, tu vai ver quando o teu pai voltar’. A impaciência rivotrílica é bastante similar: talvez apenas a sacudida extra seja guardada para a privacidade e inviolabilidade do lar, para não ficar chato na frente do porteiro ou dar dor-de-cabeça com o Conselho Tutelar. Enfim.
O animalzinho que ora observamos, sortudo até, no comparativo da tabela, preenche como massa de parede aqueles visíveis buracos da meia-idade, da síndrome do ninho vazio, da viuvez, da falta de assunto entre cônjuges, da aporrinhação familiar “e da solidão das pessoas / dessas capitais”, como canta Belchior. Não todos, mas vejo o que vejo, e anoto aqui para fins de registro no caderno da vida. Ponto.
Um dia é dia de apanhar de jornal enrolado, outro é de ficar no Sol, outro é de ficar alguns dias no box do banheiro, ou esperando o resto da família voltar da praia, dias depois, outro dia é de espera, olhando pela janela. E às vezes a doença que chega no virar do calendário, a velhice, ou ambas de mãos dadas, caminhando com passos inicialmente miúdos, mudam a rota do animalzinho-fofo e lhe proporcionam – se não o apoio, o tratamento e o acolhimento misericordioso na hora do aperto final – a condição de presente para a faxineira, junto com umas roupas ‘que não servem mais em ninguém. Pode levar, Dona Fulana’.
Uma vida batida no martelo dos instantes, na gangorra do humor, na concessão de espaço, de comida, de cama quente. Ou castigo.
Publicado originalmente na ANDA.
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18 de agosto de 2014
Mais uma opção para veganos e vegetarianos em Porto Alegre
Grata surpresa foi ver a nova placa do restaurante Ojas, na Independência, quase esquina com a rua Garibaldi. Antigamente o local abrigava uma padaria, que há algum tempo deu lugar a um restaurante. Porém, só hoje percebemos as placas no horário de almoço. São pratos vegetarianos, com algumas opções para veganos.
Caixa vira protesto no Centro
Nesta segunda-feira, na Rua da Praia, uma manifestação inusitada. Alguém pintou uma caixa de papelão com dizeres sobre plebiscito, nas quatro laterais, e prendeu em cima de um orelhão. Atraiu olhares e descontraiu um pouco, pelo curioso, o rígido ritmo de formigueiro da Andradas.
Casa Oriental: tradição e boas indicações para veganos
O restaurante chinês Casa Oriental é um dos mais tradicionais vegetarianos de Porto Alegre, tendo diversas opções para veganos. Como é de praxe nos chineses veg, o sistema é de buffet, farto e que funciona até mais tarde - eu mesmo já almocei lá depois das 15h. A dica para veganos é o macarrão com legumes, pastel de milho e tomate, banana frita, vagem refogada com tofu defumado e pãozinho chinês. Atenção para pratos como a soja agridoce, que leva manteiga. O Casa Oriental fica na rua Felipe Camarão, quase esquina com Independência, e funciona de segunda a sábado.
16 de agosto de 2014
Porralouquice marca 'Não Pare na Pista - A melhor história de Paulo Coelho'
Confesso que nunca li nenhum livro de Paulo Coelho. Gosto muito de Raul Seixas, e por acaso estou re-ouvindo sua discografia inteira, incluindo raridades como 'O Rebu', trilha de novela composta pela então dupla Seixas/Coelho. Obviamente, da melhor fase do maluco beleza. Fora disso, jamais abri 'Diário de um mago', 'O alquimista' e tantos outros que até passaram pelas minhas mãos, ou me foram recomendados. Ponto, nova linha.
Estreou no dia 14 'Não Pare na Pista - A melhor história de Paulo Coelho', cinebiografia escrita por Carolina Kotscho - de '2 Filhos de Francisco' - a partir de depoimentos colhidos com o escritor, e dirigida por Daniel Augusto - de 'Amazônia Desconhecida'. Em quase duas horas, a história vai em três eixos, a começar pelo adolescente Paulo, internado por duas vezes pelos próprios pais em hospícios, entre outros percalços. O segundo é o Paulo Coelho da fase Raul Seixas, barba, cabelo comprido, rock, drogas, ocultismo, sexo e porralouquice. O terceiro é o autor em 2013, consagrado, no topo do mundo, inadvertidamente repetindo o caminho de Santiago de Compostela, após se perder na Espanha, indo para uma festa em sua homenagem. Excelentes interpretações, trilha sonora de primeira, de dar vontade de bater palma junto, e aquela sensação de triunfo, do jovem incompreendido pelos pais que se torna "o autor vivo mais traduzido que Shakespeare", como dizem os créditos finais. Confesso que fiquei com vontade de ler sua revista do começo dos anos 70, chamada '2001'. E algum de seus livros.
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Lançado o jornal Nossa Saúde
Ao centro, editor faz um breve relato do nascimento do jornalNa tarde deste sábado, 16 de agosto, o Museu de Comunicção Hipólito José da Costa foi palco para o lançamento do mensário Nossa Saúde, da editora Conceito. O veículo traz matérias e colunas sobre medicina preventiva, envelhecimento, psicologia, odontologia, alimentação saudável, homeopatia, saúde dos animias de estimação e cultura, com distribuição gratuita. A iniciativa foi do jornalista Cezar Rodrigues e do professor de Português e advogado Landro Oviedo, que fizeram os principais pronunciamentos durante o evento. A programação encerrou com apresentação de música gaúcha e coquetel de confraternização. Contatos podem ser feitos através do editoraconceito.com.br.
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