9 de setembro de 2014

Intervenção urbana na Independência com Santo Antônio


Natureza quadriculada ou 'se tem animal e lucro, tem arame farpado'

A primeira conversa pega-trouxa que autoridades em geral e representantes do setor da pecuária repetem é ‘desenvolvimento sustentável’. Senão, vejamos. O Brasil ocupa a segunda posição em termos de rebanho de gado bovino, perdendo apenas para a Índia. Dados do Censo 2010 apontam 200 milhões de vacas e bois no país, sendo Corumbá, no MS, a cidade com maior população bovina - dois milhões. Já cai por terra o mito do Sítio da Vovó Donalda, onde há apenas uma vaca - com nome próprio, flor na orelha, fita na cabeça - que parece viver como um animal de estimação.

Ainda tem ingênuos que pensam a pecuária como uma atividade de manter o gado por toda a vida em bucólicos gramados, dando toda a assistência - ‘a vida que pedi a Deus’ - até que um dia ZAP!, tão rápido quanto um piscar de olhos, é feito um acerto de contas para dar de comer às legiões de esfomeados. Miseráveis esfomeados x vacas gordas usufruindo de spa em meio à natureza - eis como a coisa parece ser posta, na argumentação de alguns teimosos.

Há sempre um arame farpado separando a manada do resto da natureza. E especialmente de sua própria natureza, de correr um pouco, andar para qualquer lugar que não seja a rota do brete. Cada vez mais, é mais gado em menos espaço, em mais áreas - inclusive locais sagrados como Amazônia e Pantanal. Mas isso não conta na hora de reunir os amigos para um domingo de alegria. De outra forma, não flui.

Então temos que engolir um novo termo moldado de acordo com os novos tempos - desenvolvimento sustentável - e que parece aplacar o remorso que o cidadão comum começa a ter, ao ver as sacudidas da natureza. Lentamente, Tico e Teco vão se dando as mãos. Alguém fala que não come carne - e, estranhamente, não caiu fulminado por um doença terrível minutos depois, nem por um raio enviado dos céus. Pelo contrário, até está com exames de sangue melhorzinhos. A próstata agradece, inclusive.

Mas o termo serve pra acalmar qualquer leve desespero, tentativa de reflexão que venha a questionar o modus operandi deste nosso sistema de ruralistas fazendo crer que o desenvolvimento é para todos, sem conta bancaria própria no meio. Como se escravizar os animais para fins de lucro, com arames farpados para manter controle, seja algo que se deva agradecer. E depois os açougues distribuem a carne à legião de esfomeados, claro.

E a natureza, essa coisa amorfa que cabe no discurso de qualquer aventureiro, está se tornando quadriculada, em nome de um orgulho pela pujança de terceiros. Que, de alguma forma, incluem no pacote do progresso qualquer um que pegue uns bons cortes de carne no açougue, para o próximo domingo. De graça, claro.

Originalmente publicado em http://www.anda.jor.br/27/12/2011/natureza-quadriculada-ou-se-tem-animal-e-lucro-tem-arame-farpado.

Pizza vegana do Govinda



Arte urbana na Protásio com Taquara


Vídeo da candidata vegana Eliane Carmanim Lima

5 de setembro de 2014

Flagrante

Neste estacionamento do Zaffari, a vaga é exclusiva para pessoas com necessidades especiais, não apenas prioritária. Regularmente, outros motoristas fazem uso do local, sem o menor constrangimento. Ainda falta muito para que a cidadania permita a inclusão de todos. Imagino a pessoa com necessidades especiais, com dificuldades saindo de casa, dirigindo seu veículo adaptado, e encontrando um estacionamento cheio, e sua vaga - prevista em lei - ocupada por um carro de madame, como já testemunhei. Ele vai passar por um grande aperto, e provavelmente pensar duas vezes antes de supor que as 'facilidades' estejam realmente disponíveis.

Veganos comem muito bem no Formosa

Na Jerônimo, quase esquina com a Duque, fica o restraurente chinês Formosa. O buffet livre é ovolactovegetariano, mas nós veganos não temos do que nos queixar. Uma deliciosa opção é o 'ghiosa', espécie de capeletti suavemente recheado com legumes, leve e passado em um molho não-picante. Junto á salada de abacate, é a pedida para contrastar com pratos de sabor forte, como a proteína texturizada de soja agridoce. Depois do almoço, é "sede de anteontem", como canta Chico Buarque.

Na livraria Érico Verissimo

Foto: Ellen Augusta Valer de Freitas / desobedienciavegana.blogspot.com

Ainda há quem cuide dos rejeitados



Minha mãe, Vivânia Caser Bueno, é protetora de animais e presidente da Apave - Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis, na cidade de Veranópolis, a 'Terra da Longevidade'. Já recebeu muitas homenagens pelo trabalho voluntário 24h, inclusive uma medalha da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Além dos socorros a emergências, cuida diariamente de cerca de 200 cachorros em um abrigo municipal. Sempre que a visito, faço trabalhos lá, como carregar cascalho, consertar cercas, fotografar, assessoria de Imprensa e dar atenção a tantos animais que, um dia, tiveram família e lar. A ONG tem uma poupança para quem quiser ajudar com qualquer valor em dinheiro, que pode ser depositado inclusive em lotéricas. Os dados são

0528
013
64685-0
Caixa Econômica Federal.